“Compreendo muito bem seu principal problema: a dificuldade que o amante tem de provar ao outro que o ama; sua insegurança face ao outro, que ele nunca sabe se compreendeu bem seus sentimentos; uma incerteza que está sempre presente no amor. Preciso que me digam todos os dias que me amam, e todos os dias isso é algo novo, jamais é conquistado de maneira definitiva. De um dia para o outro, o amor pode acabar. É como um milagre, e todos os dias é preciso comprovar que ele continua a existir”.Pedro Almodóvar
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Solstício de Inverno
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Pequeno delírio crepuscular
São 4 da manhã.
Acordo, amor.
O vento uiva lá fora,
E minhas pálpebras se abrem
Nuas.
Tuas.
Não padeço de insônia ,
se te olho de madrugada.
Porque hoje te olhei.
E não vi mais nada.
Seus lábios, quentes e ásperos.
Toco com timidez,
três vezes seguidas.
Não me cobro pudor.
Teus lábios chamam.
Ardo.
Enrubesço.
E viro de lado
Acorda, amor.
São 4 da manhã.
São 4 da manhã.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
Sobre cozinhas de albergue, papa de aveia e amor
Acho albergues uma graça, quase um exercício antropológico: aquela mistura de "festa estranha com gente esquisita" (que me rende boas conversas), banheiros razoavelmente limpos e uma cozinha a minha espera. Nunca tive problemas com albergues e se você os teve, por favor, não me conte.
Descobri a potência da cozinha de um albergue em 2011, num mochilão pela Patagônia feito com muito amor e pouquíssimo dinheiro. As cozinhas eram nossas salvações. Numa noite de poucos recursos, 2 ovos e 5 laranjas salvaram vidas. A minha, inclusive. Acredito que foi nessa noite que minha relação com comida e com a cozinha começou a mudar: um processo que culminou em vegetarianismo e gosto pela culinária.
Faz frio em São Paulo, faz mais frio ainda no meu albergue cercado por árvores que cantam com o vento. Entre leituras e cansaços, resolvi ir até a cozinha do albergue e preparar minha fiel companheira papa de aveia: este alimento tão nutritivo e barato que associo com amor. (Talvez porque quem me apresentou a aveia, num café da manhã de uma segunda-feira despretensiosa, me desperte este sentimento).
Na cozinha do albergue, um americano tão alto quanto um jogador de basquete, me observa atentamente. Penso que o cheiro da canela o tenha capturado. Ele olha intrigado, mas nada pergunta, talvez supunha que a diferença de línguas impossibilitaria a comunicação. Antes de eu terminar o prato, o americano se levanta da mesa e da lugar a um peruano falante. Sento e ouço atentamente a história do peruano que está no Brasil há um mês: seu sonho é ajudar os imigrantes que estão no Brasil trabalhando como escravos nas fábricas de lojas de grandes marcas.
Entre um questionamento e outro, surge o americano e uma moça na cozinha:
- Inara ele está curioso pra saber o que você está comendo.
- Papa de aveia, eu respondo.
A moça que deveria ser a tradutora não lembra como se diz aveia em inglês. Eu tampouco. Assim começa a mobilização em torno da papa de aveia. Associações engraçadas surgem, o americano não entende e felizmente ninguém lembra do Google - que poderia em um clique explicar. A comoção em torno da papa de aveia é tão grande que me ofereço para cozinhar para todos.
Minutos mais tarde, papas de aveia nos pratos e mesa coberta de histórias partilhadas. O americano não é jogador de basquete e se chama Amanhecer (Dawn, em inglês). A "tradutora" mora no hostel. O peruano é fotógrafo e retrata marginalizados sociais. E eu, bem, eu comprovei que papa de aveia realmente é amor.
Então, façamos, vamos amar!
(Para Elma Rios, que não chegou a ver minha transformação culinária, mas foi a primeira a me dar dicas de alimentação. Lembro com saudades das nossas aulas de francês. Para Lia Eps e Emanuelle Curvo, minhas companheiras de viagem, diversão e fome pela Patagônia. Para Emily Ferreira, que nesta manhã me escreveu apenas por lembrar que eu amo papa de aveia, sincronias)
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